
O Livro
Entre o Desejo e o Chamado propõe um encontro entre a fé cristã e a psicanálise para pensar o ser humano em sua busca por sentido, direção e propósito.
Ao longo da obra, desejo, inconsciente, identidade, amor, falta, sofrimento, liberdade, responsabilidade, luto, vocação e missão se encontram com narrativas bíblicas e conceitos psicanalíticos.
Uma travessia para compreender como aquilo que nos constitui, aquilo que desejamos e aquilo que nos chama pode participar da construção de uma vida com sentido.
Perguntas que permanecem

Quando a culpa começa a esconder aquilo que eu não consegui dizer?
Há relações em que sentimentos diferentes coexistem: amor e raiva, vínculo e ressentimento, dependência e desejo de afastamento.
A ambivalência faz parte da experiência humana e não precisa ser eliminada para que um vínculo possa existir.
O desafio começa quando alguns afetos não encontram lugar porque parecem incompatíveis com aquilo que pensamos sentir ou ser.
Reconhecer essa complexidade pode abrir espaço para compreender melhor os vínculos, sustentar sentimentos contraditórios e transformar aquilo que, sem elaboração, poderia se tornar destrutivo.

O que fazemos com aquilo que desejamos?
Sentir faz parte da experiência humana, mas nem todo sentimento precisa se transformar imediatamente em ação. Entre o que sentimos e o que fazemos existe um intervalo onde podemos elaborar, compreender e escolher.
A maturidade emocional não significa deixar de sentir, mas aprender a sustentar aquilo que nos atravessa sem sermos conduzidos impulsivamente por isso.
Nesse espaço, desejo, conflito, frustração e ambivalência podem encontrar outras formas de expressão. A psicanálise nos ajuda a pensar esse movimento: reconhecer o que sentimos, dar sentido ao que acontece dentro de nós e encontrar maneiras mais conscientes de responder.
É nesse intervalo que liberdade e responsabilidade podem começar a se encontrar.

Como encontrar um lugar próprio sem deixar de pertencer?
Há momentos em que pertencer parece exigir que diminuamos aquilo que desejamos. Escolher um caminho diferente, discordar ou sustentar uma posição própria pode despertar culpa, como se construir um lugar para si significasse deixar para trás aqueles que nos constituíram.
É nesse ponto que esta narrativa encontra Entre o Desejo e o Chamado: o que acontece com o nosso desejo quando ele precisa atravessar o desejo do outro?
A separação simbólica não propõe o rompimento dos vínculos, mas a possibilidade de reconhecer a diferença, sustentar limites e começar a responder pelo que é próprio.
Entre o desejo e o chamado, também existe esse espaço: aquele em que precisamos distinguir o que recebemos, o que aprendemos a desejar e aquilo que, pouco a pouco, podemos reconhecer como nosso.
Talvez encontrar um lugar próprio não seja deixar de pertencer, mas aprender uma outra forma de pertencer.

O que a nossa própria história continua nos pedindo para olhar?
Há experiências que retornam, perguntas que reaparecem, interesses que permanecem e escolhas que voltam sob outras formas.
Nem sempre sabemos imediatamente por quê.
Aquilo que insiste em voltar pode carregar algo que ainda não encontrou palavras, compreensão ou elaboração. O retorno pode ser uma presença que continua solicitando nossa atenção.
Nem tudo aquilo que nos atravessa é imediatamente conhecido por nós. Podemos perceber seus efeitos antes de compreender seus sentidos.
Talvez olhar para aquilo que retorna exija mais do que encontrar uma explicação. Exija sustentar a pergunta, reconhecer o que permanece e permitir que a experiência encontre, pouco a pouco, uma possibilidade de elaboração.
Formação que dialoga com essa obra

Falta · sofrimento · desejo · elaboração · responsabilidade · liberdade
Há experiências que nos ferem e deixam marcas profundas. Reconhecer essas feridas é importante, mas algo muda quando a dor passa a organizar nossas expectativas e a vida parece nos dever uma compensação.
A partir dessa reflexão, esta narrativa encontra Entre o Desejo e o Chamado na relação entre falta, sofrimento e responsabilidade subjetiva. Nem tudo o que nos faltou pode ser recuperado, e nem toda reparação será capaz de devolver aquilo que se perdeu.
Elaborar a própria história não significa negar a injustiça ou minimizar o sofrimento. Significa reconhecer o que aconteceu sem permitir que o passado determine todas as possibilidades do presente.
A dor faz parte da nossa história, mas não precisa decidir, sozinha, o que faremos com ela.

Sofrimento, simbolização, dor e história subjetiva.
O corpo não é apenas aquilo que pode ser observado, medido ou tratado.
Ele também participa da maneira singular como cada pessoa vive sua história.
Entre o que sentimos e o que conseguimos dizer existe um espaço complexo.
Algumas experiências encontram palavras; outras permanecem sem nome e podem aparecer por diferentes vias, inclusive no corpo.
A relação entre corpo e palavra convida a escutar o sofrimento sem reduzi-lo a uma única dimensão.
O cuidado médico permanece fundamental, enquanto a escuta subjetiva pode perguntar pelo sentido que determinada experiência assume para aquele que a vive.
Dar palavras ao sofrimento não significa negar o corpo.
Pode significar aproximar aquilo que se sente daquilo que se consegue elaborar, permitindo que a experiência encontre uma forma de ser reconhecida e pensada.

Falta · comparação · reconhecimento · narcisismo
Quando o outro recebe aquilo que gostaríamos de receber, algo pode se mover dentro de nós. A admiração pode abrir caminho para o desejo, mas a comparação também pode transformar a presença do outro em uma medida do nosso próprio valor.
Na inveja, nem sempre desejamos apenas aquilo que o outro possui. Às vezes, desejamos aquilo que imaginamos que ele é: seguro, amado, reconhecido, livre, inteiro. E, quando essa imagem toca uma falta que ainda não conseguimos elaborar, o brilho do outro pode começar a parecer uma ameaça.
Entre o Desejo e o Chamado encontra aqui uma questão fundamental: o que aquilo que desejamos no outro revela sobre nós mesmos?
A falta não precisa ser uma condenação. Pode se tornar pergunta, desejo e possibilidade de construção de um caminho próprio. O outro pode revelar algo que ainda precisamos escutar em nós — sem precisar desaparecer para que possamos existir.

Adaptação · desejo · liberdade
Esta formação investiga o ponto em que adaptar-se, corresponder às expectativas e preservar vínculos pode começar a cobrar um preço da própria experiência subjetiva.
A partir de uma leitura psicanalítica, percorre questões de desejo, pertencimento, liberdade e formas de organização defensiva, aproximando a contribuição de Joyce McDougall das experiências em que uma vida aparentemente organizada pode esconder um empobrecimento da vida afetiva.
O percurso convida a perguntar: o que é meu? O que aprendi a querer para continuar pertencendo? Quando responsabilidade se transforma em renúncia?
A proposta é recuperar a possibilidade de reconhecer o próprio desejo e habitar a vida de maneira mais implicada.
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